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Para Borges, Quimera era uma ideia demasiadamente heterogênea que nunca se resume nela mesma. Para Pablo Boneu, é a possibilidade do surgimento de monstros de uma realidade inútil que teimamos em construir, apresentada em forma de imagens. Já Rabelais em um astuto jogo semântico se perguntava se aquilo que não tem uma existência real (o quimérico) poderia engolir as nossas segundas intenções. Uma imagem que seja real em seu instante de criação não existirá no futuro, mas será que aprendemos algo nesse caminho? 

Boneu aborda a ideia cíclica da construção e desconstrução em seu trabalho, mas também as incertezas de fazê-lo. Seu percurso artístico explora tanto a questão estética quanto o caminho intelectual. Foram três anos construindo fotografias com notas de diferentes países em busca de desconstruir uma realidade hegemônica simbolicamente proposta pelo dinheiro, cuja questão central se resume na valorização do humano.

Penso em Wittgestein quando nossas impressões sensoriais são sinais genuínos de uma realidade existente, parte de uma tentativa de construir um mundo lógicoem que vivemos. Mas encontramos uma realidade humana que se mostra mais multifacetada do que os mais otimistas gostariam. A construção de uma imagem lógica é uma ideia abandonada, o que me aproxima de Pablo Boneu e os questionamentos através de sua arte que certamente ultrapassam o convencional.

Esta ambiguidade da arte contemporânea, que elimina nossas confortáveis certezas que acumulamos nos últimos dois séculos e que nos fazem pensar em uma reorganização epistemológica do nosso conhecimento, estão presentes nestas belas imagens que traduzem o desapego monetário, ainda que, como diz Boneu “seu fantasma segue circulando em nossa mente”. 

Há uma dicotomia gerada pelo artista, de que se acumular dinheiro é a base da fortuna, destruí-lo seria então o surgimento da ruína. Sendo um bem público, sua destruição é um delito que provoca nele uma sensação de subverter a ordem, ainda que recompô-lo em imagens não os traga de volta. Mas a nossa “realidade genuína”, lembrando o filósofo austríaco, existe porque artistas como Pablo Boneu são capazes de imaginá-la
e reconstruí-la, ainda que em milhares de pedacinhos transformados em uma arte honesta e sem segundas intenções.

Juan Esteves 

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