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FLUTUAR COMO UMA BORBOLETA

"Eu sou América.

Eu sou a parte que você não vai reconhecer.

Preto, confiante, arrogante - meu nome não é o seu.

Minha religião, não é a sua. Meus objetivos, também não.

Acostumem-se comigo."

Muhammad Ali

Cassius Marcellus Clay Jr. (Louisville, EUA, 1942) passou a existir como Muhammad Ali quando se converteu ao islamismo. Com o segundo nome tornou-se uma lenda capaz de pronunciar, “Eu sou o maior”. Enfrentou o mundo e a si mesmo dentro e fora do ringue. Foi campeão dos pesos-pesados pela primeira vez em 1964, quando derrotou Sonny Liston. Três anos depois foi proibido de subir ao ringue por ter se recusado a lutar no Vietnã. Naquela ocasião, teria dito: “Nenhum vietcongue me chamou de crioulo, porque eu lutaria contra ele?”. Virou o jogo a seu favor porque foi o primeiro esportista a entender que marketing e política poderiam dar certo. Entre perdas, sequelas e ganhos teve um sinal de alerta em seu destino quando, aos 12 anos, o chefe de polícia e técnico de boxe Joe E. Martin o viu batendo em um ladrão que estava roubando sua bicicleta. Foi nesse dia que ouviu o conselho para ir aprender boxe.

O fotógrafo Thomas Hoepker conheceu Muhammad Ali em 1966. Naquela época trabalhava na revista Stern, em Hamburgo, na Alemanha e foi convidado pelo editor para se aproximar da história de um boxeador de sucesso. Hoepker não entendia nada de boxe. Voou para Londres depois de ler relatórios sobre a personalidade controversa do pugilista: num dia calmo e atencioso, em outro introspectivo e distante. Tudo o que uma imagem necessita, quando o fotógrafo sabe verdadeiramente perceber de que forma poderá fazer a passagem do ontem ao muito além. Esteve com Ali no ginásio de treinamento, no quarto do hotel, na alfaiataria onde fora para cortar seu primeiro terno sob medida, na padaria onde o pugilista conheceu sua segunda esposa. Depois, já “entendendo” quem era a persona que estava diante dos seus olhos e o que poderia significar, Hoepker o seguiu entre cidades, aparições públicas e privadas, em momentos de silêncio e explosão. Na maioria das vezes num jogo de luz em preto e branco para tornar cada fotografia o segredo de um segredo.

Como um biógrafo, seus registros são o testemunho de um tempo. Está ao lado da vida de um homem que luta para vencer justamente quando quem está por trás da câmera precisa exercitar o seu olhar mais humano: assim, nenhum dos dois poderá mentir. Como na imagem feita numa ponte sobre o Rio Chicago, Ali de frente e de costas para a sua América, a mesma que engrandece, sufoca, depois esquece. Primeiro em pé, sem camisa, depois saltando em direção à câmera, os olhos arregalados: “O homem sem imaginação não tem asas”. Nesse instante a fotografia para entre o pugilista e o fotógrafo. E mostra que Ali, hoje com 73 anos e sofrendo com o Mal de Parkinson poderá ser vulnerável à linha do tempo e da vida, mas perpetuado em cada uma das fotografias que aqui estão.

Diógenes Moura | Escritor e curador de Fotografia

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